Atravessando a marginal...

Agora o meu trabalho focado proporciona histórias de risco de vida. A melhor delas foi euzinha tentando chegar ao maldito Hotel Transamérica. Primeiro, peguei um ônibus que rodou o mundo para me deixar no meio do caminho. Ok, ok! Eu sei que vocês devem estar se perguntando como pode um ônibus rodar o mundo e ainda deixar no meio do caminho, mas é a mais pura verdade, ele me deixou. Peguei então o segundo ônibus e pedi para o cobrador avisar quando chegasse no lugar. Cochilei um pouco já que era cedo para caramba, quando de repente ele me dá um tapa e fala que eu deveria descer no próximo.

 

Levanto meio atrapalhada, puxo a cordinha (é, e daquelas antigas pra caramba) e desço. Olho para um lado e para o outro e cadê o hotel? Já ia começar a xingar o maldito cobrador, quando me vejo de um lado da Marginal Pinheiro e o hotel do outro. Eu de salto e a marginal lá, com um monte de carros que não paravam de passar. Eu, calmamente, fui até a ponte. Atravessei e quando vi estava no meio da marginal, entre o rio e a expressa da marginal sentido... Sei lá qual era o sentido, dane-se. Fiquei uns minutos em pânicos ao ver que não tinha como atravessar pela ponte e que eu precisaria realmente ATRAVESSAR A MARGINAL A PÉ!!!!

 

É suicídio, pensei. Até ver um cara atravessar com uma certa facilidade. Pensei então que se ele podia, eu também poderia. Aliás, não pensei, para falar a verdade falei mesmo, em voz alta, o que deve ter dado aos que passavam de carro a impressão de que eu era louca. A primeira parte da travessia até que foi fácil, pois era a saída da ponte que não tinha muita gente, me ferrei mesmo na seguinte. Fiquei uns 10 minutos naquele vou não vou, suando sob o sol por causa do meu casaco preto. Isto tudo até que um motoqueiro mega-hiper-master-blaster-super bonzinho resolveu segurar um caminhão e um outro carro e meu deu a vez. Corri toda aloprada e me senti outra quando alcancei feliz e contente a outra calçada.

 

Nossa, que alivio!!! Caminhei então mais um pouquinho e cheguei ao hotel. Para finalizar e causar um pouco mais de riso, depois de fazer o credenciamento com um monte de mocinhas bem vestidas e fresquinhas olhando para a minha cara, fui ao banheiro. Então, percebi que estava vermelha, suada e descabelada. Fim da vergonha!!!

História Verídica

Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica e viu que estava ao lado de um passageiro negro. Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo.

 

- "Qual o problema, senhora"?, perguntou a comissária.

- "Não está vendo? - respondeu a senhora - "vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra cadeira".

- "Por favor, acalme-se - disse a aeromoça - "infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível".

A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.


- "Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica. Falei com o comandante e ele confirmou  que não temos mais nenhum lugar nem mesmo na classe econômica. Temos apenas um lugar na primeira classe".

E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua:

- "Veja, é incomum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe econômica se assentar na primeira classe.  Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável".


E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:


- "Portanto, senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe..."

 

E todos os passageiros próximos, que, estupefatos, assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.




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